Em resposta ao STF, defesa de Bolsonaro contesta indícios de fuga e pede revisão de prisão domiciliar
A defesa de Bolsonaro pede revisão da prisão domiciliar, alegando falta de evidências concretas no inquérito. O ex-presidente é réu em ação penal relacionada à tentativa de golpe em 2022 e enfrenta investigações sobre possíveis coações a autoridades.
Ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre inquérito que investiga sua suposta coação a autoridades envolvidas na ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado em 2022.
A defesa argumentou que há “vazios de indícios” no indiciamento feito pela Polícia Federal (PF) e pediu a reconsideração de sua prisão domiciliar, mantida desde 4 de agosto com tornozeleira eletrônica.
Os advogados afirmaram que “um rascunho de pedido de asilo, datado de fevereiro de 2024, não pode ser considerado um indício de fuga”. Destacaram que Bolsonaro compareceu a todos os atos determinados e estava em casa ao uso da tornozeleira.
O relatório da PF indica que Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, pressionaram ministros do STF e parlamentares para interferir na investigação. Áudios apontam articulações com Eduardo e o pastor Silas Malafaia para intimidar autoridades.
Segundo a PF, foi encontrado no celular de Bolsonaro um arquivo editável de 33 páginas com pedido de asilo na Argentina, que indicaria planejamento de fuga. A defesa, no entanto, alegou que se tratava de uma “sugestão” descartada.
Eduardo Bolsonaro, nos EUA, considerou o indiciamento “lamentável e vergonhoso”, afirmando que as conversas reveladas pela PF eram normais entre pai e filho. Mensagens também indicam diálogos sobre apoio dos EUA e críticas ao ex-presidente.
O julgamento sobre a tentativa de golpe está agendado para 2 de setembro no STF. Jair Bolsonaro e aliados são réus por crimes como organização criminosa armada e golpe de Estado.
O ministro Alexandre de Moraes deve enviar o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação, antes de decidir sobre as medidas cautelares.