Entenda o papel de fintechs e fundos de investimento no esquema de lavagem de dinheiro do PCC
Megaoperação revela conexão entre fintechs e organização criminosa no setor de combustíveis. Investigação aponta que mais de R$ 46 bilhões foram movimentados através de um "banco paralelo" utilizado pelo PCC.
Operação Carbono Oculto deflagrada em 28 de setembro investiga fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação foca em fintechs e fundos de investimento que ajudam a inserir dinheiro ilícito no sistema financeiro.
A subsecretária da Receita Federal, Andrea Costa Chaves, ressaltou que a fintech BK Bank funcionava como um “banco paralelo do crime organizado”, administrada por Danilo Tonin e Marcelo Moraes.
Outras instituições também estão envolvidas na movimentação de bilhões de reais de origem ilícita, como Reag Trust DTVM e Trustee DTVM.
Fintechs aproveitam brechas na legislação para ocultar recursos, usando “conta-bolsão”, dificultando a rastreabilidade dos valores movimentados. A Receita Federal publicará uma nova instrução normativa para aumentar a transparência das operações dessas instituições.
Foram movimentados mais de R$ 46 bilhões de 2020 a 2024, com mais de R$ 61 milhões em depósitos em espécie entre 2022 e 2023.
O promotor João Paulo Gabriel afirmou haver envolvimento direto entre fintechs, fundos e o PCC, não se restringindo a serviços prestados.
A Receita identificou ao menos 40 fundos de investimento controlados pela organização criminosa, com patrimônio de R$ 30 bilhões. Os fundos adquiriram bens como terminais portuários, usinas de álcool e imóveis.
A BK Bank e a Reag Investimentos se manifestaram, afirmando surpresa e disposição para colaborar com as investigações. A Trustee DTVM renunciou à administração de fundos antes da operação.
Altinvest Gestão não comentou as investigações até o fechamento deste relatório.