Entenda por que a Itália decidiu restringir a cidadania para descendentes
Itália impõe restrições à cidadania por ascendência, limitando-a apenas a filhos e netos de italianos. A medida visa combater abusos e aliviar a sobrecarga nos consulados e tribunais do país.
A Itália restringe a cidadania para descendentes de italianos, limitando a elegibilidade apenas a quem possui pais ou avós italianos.
O decreto, anunciado em 28 de outubro, visa combater o congestionamento de pedidos que tem paralisado tribunais e consulados.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, a mudança se deve a "anos de abusos" por parte de pessoas sem vínculos significativos com a Itália.
O decreto elimina a regra que permitia a qualquer um provar antepassados italianos após a unificação em 1861.
Essa decisão acontece no contexto de uma crise demográfica, onde a Itália vê uma redução da taxa de natalidade e debate sobre a cidadania por nascimento aos filhos de imigrantes.
A proposta do governo inclui permitir que filhos ou netos de cidadãos italianos se tornem cidadãos após dois ou três anos de residência na Itália.
Contudo, críticos do governo, com viés nacionalista, alegam que a nova política compromete a identidade cultural italiana.
Além disso, a pressão de pedidos está afetando serviços públicos, com tribunais e consulados sobrecarregados, resultando na rejeição de pedidos de pessoas que já aguardavam há anos.
A Itália teve um aumento de 40% no número de cidadãos italianos no exterior em uma década, com um significativo número de novos cidadãos na Argentina e Brasil.
Organizações estão aproveitando a demanda, cobrando taxas altas por serviços de assistência na obtenção da cidadania, o que levou Tajani a afirmar que não se deve incentivar "trapaças ou cidadanias falsas”.