Escândalo de corrupção, queda de popularidade e ataque a pedradas nas ruas: as difíceis semanas de Javier Milei na Argentina
Milei enfrenta uma crise política sem precedentes, com queda na confiança pública e protestos violentos em sua campanha. A situação se agrava antes das importantes eleições provinciais e legislativas após escândalos de corrupção envolvendo sua irmã.
Caos marca campanha do presidente argentino Javier Milei
No dia 27 de agosto, o presidente Javier Milei foi retirado às pressas de um ato de campanha em Buenos Aires, após manifestantes cercarem sua comitiva e atacarem sua caravana eleitoral com pedras.
O incidente gerou tensão às vésperas das eleições provinciais no dia 7 de setembro e das eleições legislativas em 26 de outubro. Milei precisa de mais aliados no Congresso para buscar a reeleição em dois anos.
A confiança do público em seu governo caiu drasticamente. O jornal La Nación informou que, em agosto, o Índice de Confiança no Governo despencou de 2,45 para 2,12 pontos, representando uma queda de 13,6%.
O escândalo envolvendo a irmã de Milei, Karina Milei, e uma suposta rede de subornos na Agência Nacional de Incapacidade veio à tona com áudios gravados secretamente. O ex-diretor da agência, Diego Spagnuolo, afirmou que Karina receberia subornos sobre pagamentos de remédios.
Embora Milei tenha negado as acusações, o caso gerou reações negativas nos mercados, aumentando o risco país para 829 pontos básicos, o maior nível desde abril.
Adicionalmente, a Câmara Baixa do Congresso derrubou o veto de Milei a uma lei emergencial para pessoas com incapacidade, refletindo uma sequência de derrotas legislativas que agravaram a situação econômica do país.
Pesquisas mostraram uma deterioração significativa da avaliação do governo, com 62,5% dos entrevistados acreditando que os áudios indicam corrupção, enquanto apenas 32,8% consideram uma operação política.
Com estas dificuldades, o partido A Liberdade Avança mantém expectativas moderadas para as eleições e acusa a oposição de fraudes eleitorais.