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Esquerda sofre na América Latina, mas eleição no Brasil segue em aberto

A débacle da esquerda na Bolívia e em outros países da América Latina reflete um descontentamento geral com a performance governamental. No Brasil, a situação é distinta, com Lula mantendo índices de aprovação que podem influenciar a eleição de 2026 de forma diferente.

A ausência da esquerda no segundo turno presidencial da Bolívia evidencia um avanço da direita na América Latina.

Esse cenário se soma a desafios enfrentados por governos progressistas no Chile e na Colômbia, onde a oposição destaca-se nas pesquisas eleitorais.

A derrota do Movimento ao Socialismo (MAS) na Bolívia se deve a duas causas principais:

  • Baixa performance do governo Luis Arce, com aprovação abaixo de 10%.
  • Conflito entre Arce e o ex-presidente Evo Morales, fragmentando o campo progressista.

Na Bolívia, o centrista Rodrigo Paz capitalizou o descontentamento e avançou para a disputa final.

O padrão também se repete no Chile e na Colômbia, onde os governos atuais têm baixos índices de aprovação e a direita lidera as intenções de voto.

Entretanto, interpretar esses fenômenos como uma guinada ideológica é um equívoco.

Os casos da Bolívia, Chile e Colômbia mostram uma alta rejeição a governos com desempenho insatisfatório, refletindo um voto de protesto. Esse movimento pode favorecer a esquerda, como ocorreu no passado com a Onda Rosa.

O Brasil, por outro lado, apresenta uma diferenciação nesse contexto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma taxa de aprovação acima de 40%, o que confere a ele uma posição sólida para a reeleição.

Contudo, a insatisfação popular é evidente. Segundo pesquisa Ipsos:

  • 69% dos brasileiros veem a sociedade como deteriorada.
  • 62% percebem o país em declínio.

A oposição brasileira não deve contar apenas com tendências internacionais para impulsionar seus candidatos. A eleição de 2026 será definida pela avaliação do governo, da economia e dos serviços públicos.

A oposição deveria considerar candidatos com uma nova aura que possam se conectar ao sentimento antissistema. A competitividade da disputa está evidente, com Lula, por enquanto, em vantagem.

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