EUA acusam Maduro de chefiar Cartel de los Soles, que especialistas negam existir
EUA impõem sanções e aumentam recompensa por captura de Maduro, acusado de liderar organização criminosa. Especialistas contestam a existência do Cartel de los Soles e apontam falta de evidências diretas.
Estados Unidos acusam o presidente Nicolás Maduro de liderar o Cartel de los Soles, uma organização de narcotráfico, supostamente ligada ao governo da Venezuela. Especialistas contestam a existência do cartel.
Os EUA, que consideram Maduro ilegítimo, anunciaram sanções e elevaram a recompensa pela captura do ditador para US$ 50 milhões (R$ 272,1 milhões).
Maduro nega as acusações, embora dois sobrinhos de sua esposa tenham sido condenados por tráfico de cocaína em Nova York.
O presidente venezuelano menciona uma tentativa de invasão americana, em meio ao deslocamento de navios de guerra e fuzileiros navais para a região do Caribe.
Em julho, o governo Trump declarou o Cartel de los Soles como uma organização terrorista e associou Maduro a grupos guerrilheiros.
A oposição, liderada por María Corina Machado, apoia as denúncias. No entanto, o último relatório do Departamento de Estado não menciona o cartel nem estabelece uma relação direta entre Maduro e o narcotráfico.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, critica a narrativa do Cartel de los Soles como uma "desculpa fictícia" da extrema-direita. Phil Gunson, analista do Crisis Group, afirma que evidências diretas nunca foram apresentadas.
O termo Cartel de los Soles surgiu na imprensa em 1993, associado a investigações de generais por narcotráfico. Denúncias ligam membros do governo com grupos guerrilheiros que atuam no tráfico de drogas.
Os Estados Unidos mobilizaram destróieres na região, alegando combater o narcotráfico, enquanto a Venezuela decidiu patrulhar suas águas com drones e navios da Marinha.
Maduro iniciou novo alistamento à Milícia Nacional Bolivariana, afirmando ter 4,5 milhões de reservistas prontos, embora esse número seja contestado.
A crise provoca reações diversas na população, e Caracas levou o tema à ONU, pedindo a intervenção de António Guterres.
Analistas consideram a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA como remota, avaliando que, se houvesse intenção de mudança de regime, seria esperada uma ação surpresa.