EUA aumentam força naval no Caribe enquanto autoridades e especialistas questionam o porquê
A movimentação militar dos EUA no Caribe levanta dúvidas sobre suas reais intenções, que vão além do combate ao tráfico de drogas. Especialistas afirmam que a presença naval pode ser uma estratégia para pressionar o governo de Nicolás Maduro.
Aumento da Presença Naval dos EUA no Caribe
As forças navais dos Estados Unidos estão aumentando sua presença no sul do Caribe, levando autoridades venezuelanas e especialistas a questionarem os reais motivos dessa movimentação. Sete navios de guerra e um submarino nuclear estão na região, com mais de 4,5 mil marinheiros e fuzileiros navais.
O presidente Donald Trump afirmou que o objetivo é combater cartéis de drogas, enquanto o vice-chefe de gabinete, Stephen Miller, reiterou que busca "combater e desmantelar organizações criminosas" na região.
Contudo, a eficácia dessa presença militar é questionável, já que a maior parte do tráfico de drogas se dá pelo Pacífico, não pelo Atlântico. Além disso, muitos traficantes utilizam voos clandestinos para transportar drogas.
Autoridades venezuelanas, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o embaixador da ONU, Samuel Moncada, acusam os EUA de ameaçar o governo de Nicolás Maduro, aumentando a recompensa por informações sobre seu paradeiro.
Em resposta, o general Vladimir Padrino enfatizou que a Venezuela é "um povo nobre e trabalhador", e não narcotraficantes.
A presença atual da Marinha dos EUA excede desdobramentos anteriores, com navios como o USS San Antonio e o USS Iwo Jima, que podem lançar mísseis de cruzeiro. Além disso, aviões espiões têm coletado inteligência sobre a região.
O governo Trump está considerando opções militares para lidar com cartéis, e o secretário de Estado, Marco Rubio, visitou o Comando Sul das Forças Armadas Americanas.
O especialista David Smilde vê essa movimentação como uma estratégia para pressionar o governo Maduro, caracterizando-a como "diplomacia do canhão".
O Relatório Global sobre a Cocaína de 2023 reforça que o Pacífico é a principal rota de tráfico, enquanto a Venezuela é um ponto de partida significativo para cocaína enviada pelo Caribe.
Por fim, Christopher Hernandez-Roy sugere que essa presença naval pode ser uma demonstração de força, indicando que a situação é complexa e estratégica.