EUA dependem do Brasil para fazer carne moída, diz entidade americana que pede fim das tarifas
A dependência dos EUA por carne bovina brasileira pode impactar negativamente consumidores e produtores locais. Aumento das tarifas à importação levanta preocupações sobre o abastecimento e custos da indústria de carne nos Estados Unidos.
Dependência dos EUA da carne brasileira: Os Estados Unidos necessitam da importação de carne brasileira para a produção de carne moída e hambúrgueres. Sem essas importações, tanto consumidores quanto produtores americanos enfrentarão prejuízos.
A afirmação foi feita por Michael Skahill, diretor-executivo do Meat Import Council of America, em uma carta ao governo de Donald Trump solicitando a revisão de tarifas sobre o Brasil.
A carta destaca que, apesar de serem grandes produtores de carne, os EUA enfrentam uma deficiência estrutural em aparas bovinas magras, essenciais para a produção de carne moída.
- A produção americana está focada em cortes de alta qualidade, como bifes marmoreados.
- Aparas importadas são misturadas às nacionais para atender uma demanda anual de 50 bilhões de hambúrgueres.
Em 2024, a venda de carne moída nos EUA deve alcançar US$ 15,3 bilhões, um aumento de 10% em relação a 2023, mesmo com o rebanho em níveis baixos devido à seca.
Acesso à carne importada é essencial: Sullivan afirma que a carne importada é crucial para manter um suprimento robusto nos EUA e para a saúde financeira dos produtores, que podem focar na venda de cortes mais caros.
Sullivan pede ao governo americano que reconsidere as tarifas, destacando que elas prejudicariam o sistema alimentar dos EUA.
Impacto das tarifas: As exportações de carne do Brasil somam 400 mil toneladas anuais. Após o aumento de tarifas em agosto, a taxa sobre a carne brasileira subiu para 76,4%, inviabilizando as exportações, segundo Roberto Perosa, da Abiec.
A Seção 301 é uma parte da Lei do Comércio dos EUA que permite medidas contra países que violam regras internacionais. O processo contra o Brasil, iniciado em julho, inclui desrespeito à propriedade intelectual e barreiras a produtos americanos. A consulta pública está em andamento, com uma audiência marcada para 3 de setembro.