EUA voltam a cobrar 'taxa das blusinhas' após 87 anos de isenções
Fim da isenção de tarifas para remessas de até US$ 800 impacta comércio eletrônico e pequenos empresários. A nova regra visa combater o tráfico de narcóticos e aumentar a arrecadação tributária dos EUA.
Fim da isenção de tarifas nos EUA para remessas de encomendas até US$ 800 ocorreu nesta sexta-feira (29), afetando empresas de comércio eletrônico, pequenas empresas e consumidores.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) passou a cobrar taxas normais de impostos sobre todas as importações, independentemente de valor, origem ou modo de transporte.
Uma taxa fixa de US$ 80 a US$ 200 por pacote de agências postais estrangeiras foi oferecida durante seis meses.
Esta medida segue o cancelamento da isenção para produtos de baixo valor realizado pelo governo de Donald Trump em maio, visando combater o envio de fentanil e substâncias perigosas aos EUA.
Peter Navarro, conselheiro comercial da Casa Branca, afirmou que essa ação "salvará vidas" e deverá gerar até US$ 10 bilhões por ano em receitas tarifárias.
A isenção estava em vigor desde 1938, sendo aumentada de US$ 200 para US$ 800 em 2015, para impulsionar pequenos negócios.
Remessas diretas da China aumentaram após o aumento de tarifas sobre produtos chineses, criando novos modelos de negócio para empresas como Shein e Temu.
A Coalizão Nacional de Organizações Têxteis dos EUA considerou a medida uma "vitória histórica", pois fecha uma brecha que permitia a empresas estrangeiras evitarem tarifas.
O número de pacotes que requeria isenção aumentou quase 10 vezes, de US$ 139 milhões em 2015 para US$ 1,36 bilhão no ano fiscal de 2024.
Analistas indicam que o fim da isenção poderá elevar os preços em comércio eletrônico, afetando a competitividade com grandes varejistas como Walmart.
Desde a eliminação das isenções específicas, o CBP arrecadou mais de US$ 492 milhões em tarifas adicionais sobre pacotes da China e Hong Kong.
As taxas tarifárias agora se aplicam a todos os pacotes enviados por transportadoras expressas, como FedEx, UPS e DHL, que têm capacidade melhor para processar dados alfandegários.
Agências postais estrangeiras podem optar por cobrar impostos com base no conteúdo do pacote ou pelo método de taxa fixa, compatível com as tarifas "recíprocas" de Trump.