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Ex-diretor da Americanas diz que papel dos bancos foi decisivo para perpetuar fraude

Ex-diretor da Americanas revela em delação premiada que bancos omitiram informações sobre operações de risco sacado, essenciais para a fraude contábil de R$ 22,8 bilhões. Tanto Itaú quanto Santander negam qualquer envolvimento e reafirmam a responsabilidade exclusiva da empresa por suas demonstrações financeiras.

Ex-diretor financeiro da Americanas, Fábio da Silva Abrate, declarou em delação premiada que bancos ocultaram informações sobre operações de risco sacado, contribuindo para o escândalo da varejista e um rombo de R$ 22,8 bilhões.

A operação de risco sacado é um empréstimo feito pelos bancos para que a Americanas pagasse seus fornecedores com prazo maior e juros. Contudo, a dívida não aparecia nos balanços, aumentando a fraude contábil.

Abrate alegou que em 2016, exigiu que Itaú e Santander retirassem dados sobre essas operações de relatórios, o que esses bancos negam. Ele afirmou que essa omissão foi decisiva para manter a fraude.

Segundo a delação, os bancos, ao permitirem a manipulação dos dados, se beneficiavam ao incentivar a Americanas a usar esse tipo de operação. "Os bancos foram tolerando esse aumento de prazo", explicou Abrate, que citou prazos de até 360 dias.

A prática foi considerada pelo Ministério Público Federal (MPF) como desvirtuada e contrariava regulamentos da CVM. Abrate ainda afirmou que uma força-tarefa foi montada para ocultar as dívidas financeiras.

Os bancos, em notas, negaram as acusações e reforçaram que sempre prestaram informações corretas às auditorias. O Itaú afirmou que a elaboração das demonstrações financeiras é responsabilidade da administração da Americanas, enquanto o Santander reiterou não ter supervisionado as contas da varejista.

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