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Ex-lobista da Vale, nomeado para diretoria da ANM julgará processos de R$ 4 bi da empresa

Senado avalia nomeação de ex-lobista da Vale para direção da ANM, em meio a processos bilionários contra a mineradora. José Fernando de Mendonça Gomes pode se deparar com conflitos de interesse ao analisar casos envolvendo sua antiga empregadora.

Senado sabatinará ex-lobista da Vale nesta quarta-feira (20) para diretoria da ANM (Agência Nacional de Mineração).

José Fernando de Mendonça Gomes, se aprovado, julgará processos da Vale que somam R$ 3,8 bilhões.

Gomes atuou na Vale por 15 anos e não respondeu a contatos da imprensa sobre o julgamento dos casos da empresa.

A dívida da Vale se refere a cobranças de royalties (Cfem) acumuladas desde 2019. Técnicos da ANM constatam que a mineradora não pagou corretamente em 24 ocasiões.

A ANM já considerou improcedentes as defesas da Vale e deu prazo para pagamento dos débitos ou apresentação de recursos. Nenhum débito foi pago até agora.

Embora os processos ainda não tenham sido distribuídos, é provável que Gomes precise analisá-los durante seu mandato de quatro anos.

O regimento da ANM permite que diretores se declarem impedidos de julgar casos, mas não há exigência clara quanto a evitar casos de empresas onde trabalharam. A Vale possui mais de mil processos na agência.

Gomes foi gerente regional de relações governamentais da Vale e também atuou como presidente do Simineral, defendendo interesses da mineradora.

A aprovação de Gomes é contestada por críticos que afirmam que isso pode viciar os processos, considerando a falta de isenção esperada. Waldir Salvador, consultor da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores, promete fiscalizar e agir, se necessário.

A ANM enfrenta desafios, como baixa arrecadação e escândalos envolvendo sua diretoria. Além disso, Gomes terá que julgar casos relacionados a membros de sua família que são ligados ao setor.

A senadora Damares Alves fez um requerimento à Casa Civil sobre a indicação de Gomes, mas não avançou no Senado.

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