Ex-ministro representou empresa em negociação com a Caixa enquanto era conselheiro de subsidiária do banco
Caixa Econômica Federal é alvo de polêmicas após a contratação da Cactvs, empresa com laços políticos. Gilberto Occhi, ex-presidente do banco, está no centro da discussão sobre conflitos de interesse e negociações.
A Caixa Econômica Federal contratou a empresa Cactvs, que tem entre seus funcionários Gilberto Occhi, ex-presidente do banco (2016-2018) e ligado ao PP.
Occhi foi nomeado para o conselho da Caixa Cartões Pré-Pagos em dezembro de 2023, quando Carlos Antonio Vieira Fernandes assumiu a presidência da Caixa, indicado por Arthur Lira.
Embora a Caixa tenha afirmado que Occhi deixou o conselho, a data de sua saída é indefinida. Documentos indicam que a saída foi oficializada após consulta da Folha ao banco.
Occhi foi questionado sobre um potencial conflito de interesse ao negociar o contrato da empresa com a Caixa, mas não respondeu. A Caixa argumenta que adota um modelo de negócios com critérios técnicos para o microcrédito rural.
Em julho de 2023, a Caixa criou um grupo de trabalho para definir a operação do microcrédito, com Marcos Antonio Fernandes, sobrinho do presidente, participando do grupo. Marcos foi depois nomeado para a prefeitura de Maceió.
A Cactvs foi habilitada a operar em dezembro de 2024, tendo fornecido cerca de 2.500 créditos. A remuneração da empresa varia, com taxas sobre contratações e saldo médio.
A empresa está impedida de operar com o Banco do Nordeste por falsificação de documentos. O TCU rejeitou solicitar a suspensão da parceria entre a Cactvs e a Caixa.
Occhi, com histórico em cargos oficiais pelo PP, chegou a ser cogitado para a presidência da Caixa, que atualmente é dirigida por Vieira, após manobras políticas do governo Lula.