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'Excesso' de energia renovável desafia sistema e obriga cortes recordes de geração

Cortes recordes na geração de energia renovável revelam a fragilidade do sistema elétrico brasileiro. A crescente sobreoferta e as interrupções nas usinas eólicas e solares colocam em risco investimentos e a estabilidade econômica do setor.

Brasil enfrenta cortes recordes na geração de energia renovável.

O país está produzindo tanta energia em alguns momentos do dia que os cortes na geração, principalmente de usinas eólicas e solares, já comprometem 20% da produção total dessas fontes.

Essas interrupções, chamadas de curtailment, são determinadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para manter a segurança da rede elétrica. As principais causas incluem:

  • Condições meteorológicas extremas;
  • Atrasos em linhas de transmissão;
  • Sobreoferta de energia, que gera metade dos cortes.

A sobreoferta deve corresponder a 96% das interrupções até 2029, evidenciando um descompasso diário entre oferta e demanda.

Donato da Silva Filho, da Volt Robotics, explica que há um desencontro diário: durante o dia, há muita geração solar e pouco consumo; à noite, o inverso ocorre. Isso exige manutenção de fontes firmes, como hidrelétricas.

As interrupções são mais graves nos fins de semana. Exceções como os feriados de maio e agosto mostraram cortes significativos, com impactos financeiros severos para as geradoras.

A geração distribuída (GD) tem aumentado, sem controle do ONS, exacerbando o problema. O ONS prevê que essa capacidade alcance 50 GW até 2028.

Além dos impactos financeiros, há discussões sobre como essas perdas serão cobradas na conta de luz. O Ministério de Minas e Energia trabalha em diretrizes para ressarcir os geradores afetados.

Especialistas sugerem ampliar o armazenamento de energia e incentivar a utilização durante picos de consumo. Outras soluções incluem:

  • Flexibilização do uso de hidrelétricas;
  • Demais reformas no setor elétrico;
  • Incentivos para consumo em períodos de sobra.

A falta de soluções adequadas pode levar à perda de investimentos e ao aumento das dificuldades financeiras para as geradoras. As discussões continuam entre órgãos reguladores e as associações do setor.

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