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Expurgar itens da inflação só atrapalharia a política monetária

Vice-presidente da República propõe desconsiderar variações de preços de alimentos e energia na medição da inflação, o que gera controvérsias sobre a eficácia do método. Economistas alertam que essa abordagem pode comprometer a confiança na política monetária e na melhor avaliação do poder de compra da população.

Desancoragem de expectativas eleva desafios para o Banco Central (BC) em ajuste monetário.

Inflação persistente acima da meta gera necessidade de ciclos de aperto monetário, impactando devedores e a sociedade.

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, sugeriu que o índice de inflação não devesse incluir alimentos e energia, argumentando que aumentos de juros seriam ineficazes.

Ele propôs a criação de um IPCA 2, excluindo esses itens para reduzir volatilidade. Essa abordagem é inadequada, pois retira a capacidade de medir a corrosão do poder de compra.

A solução mais eficaz seria dessesonalizar o índice, evitando picos e vales sem subtrair a influência dos grupos de consumo, mantendo a representatividade.

Essa proposta já foi debatida durante a implantação do regime de metas de inflação em 1999, mas descartada em prol da transparência.

A confiança no índice de referência é crucial para a eficácia da política monetária. Um índice desacreditado pode levar à busca por alternativas, como a cotação do dólar, comprometendo a regra de metas.

Assim como uma bússola quebrada não orienta, um índice de referência desacreditado não guia a inflação à meta.

Hudson Bessa - Economista e sócio da HB Escola de Negócios

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