Fake news do Pix, do viral de Nikolas, ajudou esquemas como o do PCC, diz Receita
Revogação de normas de supervisão financeira facilita ações do crime organizado, segundo autoridades. Medida para restaurar obrigações de reporte será anunciada após operação que revelou esquema de lavagem de dinheiro.
Fake news sobre a taxação do Pix dificultaram a luta contra fraudes, impactando a operação Carbono Oculto da Polícia Federal.
Realizada em parceria com o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal, a operação desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
A polêmica começou com um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL), que alcançou mais de 200 milhões de visualizações, criticando uma norma de supervisão para fintechs, que foi revogada.
Andrea Costa Chaves, subsecretária da Receita, apontou que o crime organizado se aproveitou da falta de regulação após a revogação. “Tivemos uma onda de fake news que culminou com a revogação de mudanças normativas”, afirmou.
A norma revogada exigia que transações acima de R$ 5 mil (pessoa física) ou R$ 15 mil (empresas) fossem reportadas. Nikolas questionou: “Se era fake news, por que revogou?”
O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, justificou que a norma se tornara “arma na mão de criminosos” e que a revogação visava preservar o debate sobre regulação futura.
Após os novos dados da Carbono Oculto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que uma instrução normativa será publicada restaurando a obrigação de reporte pelas fintechs, igualando-as aos bancos tradicionais. “[Isso] nos permitirá destrinchar outros esquemas de lavagem com mais rapidez”, concluiu.