“Fake news sobre Pix” manteve brecha para esquema do PCC, diz Receita
Revogação de fiscalização sobre o Pix abre caminho para fraudes do PCC no setor de combustíveis. Receita Federal alerta para ligações entre fintechs e a organização criminosa, evidenciando falhas regulatórias.
Receita Federal alertou sobre como a “onda de fake news” sobre a taxação do Pix permitiu a continuidade do megaesquema de fraudes do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis.
Em 15 de janeiro, o governo Lula revogou uma norma que monitorava transferências acima de R$ 5.000 no Pix. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira viralizou, influenciando essa decisão.
A revogação também afetou a fiscalização sobre bancos digitais e fintechs, usados pelo PCC para lavagem de dinheiro, conforme investigações das operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, realizadas nesta quinta-feira (28.ago.2025).
A norma, que durou apenas 15 dias, era vista como uma fiscalização essencial e buscava aumentar a transparência nas operações financeiras.
Diversos órgãos de controle iniciaram operações contra 350 indivíduos ligados ao esquema do PCC, incluindo empresas como Reag Investimentos e BK Bank.
A Receita destacou que uma fintech atuou como um “banco paralelo”, movimentando R$ 46 bilhões de 2020 a 2024. Além disso, mais de 10.900 depósitos somaram R$ 61 milhões de 2022 a 2023.
O esquema utilizou brechas na regulação, como a “conta-bolsão”, e a não obrigatoriedade de prestação de informações financeiras à Receita Federal.
As investigações revelaram irregularidades em mais de 1.000 postos de combustíveis em 10 Estados, que movimentaram R$ 52 bilhões nesse período.
A Polícia Federal identificou movimentações ilícitas de R$ 23 bilhões, com a PGFN bloqueando R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos.
A Receita Federal concluiu que o uso de múltiplas empresas operacionais facilitou a sonegação fiscal e prejudicou consumidores.