Falta de novos nomes faz esquerda pedir retorno de Bachelet no Chile contra avanço da direita
A busca pela liderança da ex-presidente reflete a crise de popularidade do governo atual e a fragmentação da esquerda. Com Bachelet como uma figura de confiança, a esquerda chilena tenta unificar suas forças diante da ascensão da direita nas pesquisas eleitorais.
Queda de popularidade do presidente do Chile, Gabriel Boric, impulsiona pedidos da esquerda pelo retorno da ex-presidente Michelle Bachelet como candidata nas eleições de novembro.
Após revelação de Bachelet sobre a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua ideia de retornar, o movimento Jóvenes por Bachelet ganhou força, com mais de 400 jovens solicitando sua candidatura.
Bachelet é considerada a única da esquerda capaz de competir com a direita, representada por Evelyn Matthei, que lidera as pesquisas. Uma disputa entre Bachelet e Matthei remeteria à eleição de 2013, onde Bachelet saiu vencedora.
A ex-presidente, no entanto, reafirmou em vídeo que não será candidata, declarando que "outros devem assumir o desafio". Apesar disso, seu nome aparece nas sondagens, evidenciando a fragmentação da esquerda.
Boric, que não pode concorrer novamente, enfrenta baixa popularidade devido ao fracasso do processo constituinte e crises de segurança. A ministra do Interior, Carolina Tohá, é potencial candidata governista, embora não tenha empatia com os cidadãos.
A falta de uma liderança unificadora na esquerda, como Bachelet, é apontada como um obstáculo. Claudia Heiss destaca que "Carolina Tohá não decolou nas pesquisas".
A crise política é vista mais como uma falta de confiança em novos líderes do que em suas competências. Bachelet é lembrada pelos avanços realizados durante seu governo, especialmente em educação.
Enquanto Bachelet não declara apoio oficial a nenhum candidato, candidaturas tentam conquistar seu respaldo para fortalecer suas campanhas. A esquerda vê a eleição legislativa como crucial, dado o predominante favoritismo da direita.
Heiss acredita que, com a atual fragmentação, a esquerda pode tentar salvar sua representação no Parlamento, enquanto o cenário se assemelha ao da eleição parlamentar na Alemanha, onde um candidato conservador venceu.
A disputa se concentra em como a direita tradicional e a extrema-direita se unirão e quantos radicais ascenderão, definindo assim o próximo período político no Chile.