Fome é confirmada na Cidade de Gaza pela primeira vez, diz órgão ligado à ONU
Gaza enfrenta pela primeira vez a fome em meio a uma crise humanitária catastrófica, segundo relatório da ONU. Mais de 500 mil pessoas estão em risco imediato de morte, enquanto apelos por ajuda aumentam diante da situação alarmante.
Fome confirmada pela primeira vez na cidade de Gaza, segundo o Integrated Food Security Phase Classification (IPC), apoiado pela ONU.
Relatório divulgado em 22 de setembro classifica a situação como catastrófica e indica que mais de 500 mil pessoas enfrentam risco de fome, miséria e morte.
O IPC afirma que a crise é totalmente provocada pelo homem e pode ser revertida com acesso imediato a ajuda humanitária.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que o cenário em Gaza é um "desastre provocado pelo homem" e destacou as obrigações de Israel de garantir alimentos e suprimentos médicos.
O coordenador de emergências, Tom Fletcher, pediu abertura das passagens a Benjamin Netanyahu, afirmando que a fome em Gaza "deveria envergonhar o mundo".
A avaliação foi realizada por cerca de 50 especialistas de 19 organizações, que usaram levantamentos de dados e medições para avaliar desnutrição.
O IPC não pôde analisar toda a Faixa de Gaza, com partes excluídas por falta de evidências.
O relatório também aponta para o agravamento de doenças relacionadas à desnutrição e falta de saneamento, com previsão de que a assistência humanitária será insuficiente.
Agências da ONU exigem cessar-fogo imediato e acesso irrestrito para a ajuda.
Desde outubro de 2023, 271 pessoas morreram de fome ou desnutrição, incluindo 112 crianças, enquanto o Hamas e a organização Médicos Sem Fronteiras relatam desnutrição severa entre as crianças.
Israel rejeita o relatório, chamando-o de "fabricado", e afirma que já enviou cerca de 100 mil caminhões de ajuda a Gaza.
Netanyahu insiste que sua política é evitar a crise humanitária e acusa o Hamas de provocar a fome.
Em meio a isso, Israel se prepara para uma nova ofensiva contra a Cidade de Gaza, o que aumenta o temor de piora na crise humanitária.