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'Fui processada porque reclamei de uma empresa no Google'

A influência das avaliações online gera consequências legais para consumidores e profissionais. Casos de processos por difamação revelam um dilema entre a liberdade de expressão e a proteção da imagem.

Michele Petter, 24 anos, auxiliar de escritório e influenciadora, e mais dois amigos foram processados por uma advogada que recebeu uma avaliação negativa no Google. O pedido de indenização é de R$ 100 mil.

O processo surgiu após críticas sobre o atendimento da advogada, que foi contratada pela mãe de Michele em um caso de pensão alimentícia que durou anos sem solução. Após tentativas frustradas de contato, Michele deixou uma crítica severa e a advogada decidiu processá-los por difamação e injúria.

Depois de meses, Michele e os amigos foram notificados sobre a ação judicial. A advogada alegou que o comentário a afetou diretamente, mas não respondeu aos pedidos de entrevista da imprensa.

A principal advogada da defesa, Fernanda Diehl, explicou que o juiz pode determinar uma indenização diferente do valor pedido. Até o momento, a ação ainda aguardava sentença no Rio Grande do Sul.

Outros casos semelhantes incluem a experiência de Gabriela, que também processada após reclamar de problemas na construção de sua casa e passou por um intenso estresse emocional. Um juiz decidiu sua favor, reconhecendo que a reclamação era legítima.

Casos em que empresas processam por avaliações negativas geram debates sobre o direito à liberdade de expressão. Christian Printes, do Idec, ressalta que consumidores devem ser cuidadosos ao comentar e evitar ofensas pessoais.

A plataforma Reclame Aqui e o Google são canais populares para avaliações de serviços, mas o uso deles pode trazer consequências legais. Tanto empresas quanto consumidores são aconselhados a resolver conflitos de forma amigável antes de recorrer ao poder judiciário.

Após receber notificações, consumidores como Leonardo disseram que não foram desencorajados a avaliar serviços, enquanto outros, como Michele e Gabriela, hesitam agora em fazer críticas, citando os danos emocionais e financeiros que podem advir.

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