Gasto extra com Judiciário estadual soma R$ 3,8 bi, diz pesquisa
Gastos com o sistema de Justiça nos Estados brasileiros aumentaram em 2023, atingindo R$ 77 bilhões. A maior parte desse valor foi destinada às folhas de pagamento, refletindo uma tendência geral de crescimento nas despesas do setor.
Relatório do Justa revela gastos dos Estados com Justiça em 2023
Dezoito Estados brasileiros gastaram R$ 77 bilhões com sistemas de Justiça em 2023. Deste total, 69% (cerca de R$ 53 bilhões) foram destinados às folhas de pagamento.
As despesas com pessoal representaram a maior parte dos créditos adicionais, que devem ser aprovados pelas Assembleias Estaduais. Os gastos extras totalizaram R$ 3,8 bilhões, sendo R$ 3,3 bilhões para folha de pagamento de juízes, promotores e defensores. A Bahia foi o Estado com maior gasto em créditos adicionais: R$ 706 milhões.
O levantamento não considerou dados de Alagoas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima, que não disponibilizaram informações. De 16 Estados analisados, quase todos apresentaram crescimento superior no orçamento da Justiça em relação ao orçamento total, exceto Amazonas e Tocantins.
Mato Grosso registrou o maior aumento no orçamento da Justiça: 36%, contra 11% do Orçamento geral. Em Minas Gerais, a Justiça aumentou 30% enquanto o Orçamento geral cresceu apenas 3%.
São Paulo foi o maior gasto absoluto: R$ 16 bilhões, seguido por Minas Gerais (R$ 11,4 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 9,5 bilhões). O menor custo foi no Acre: R$ 700 milhões.
Proporcionalmente, Rondônia lidera com 12,3% do orçamento destinado à Justiça. Em comparação, São Paulo tem a menor proporção: 5,1%.
Em relação às folhas de pagamento, São Paulo gastou R$ 11,4 bilhões, seguido por Minas Gerais (R$ 8,1 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 6,2 bilhões). Pernambuco foi o que mais gastou proporcionalmente com folha: 75,8%.
Os Tribunais de Justiça (TJs) receberam em média 70,1% do total reservado ao sistema jurídico. Os Ministérios Públicos (MPs) receberam 22,8% e as Defensorias 7%.