Geoeconomia: Trump turbina era da economia como arma geopolítica — e Brasil pode ser um dos grandes perdedores
Trump intensifica o uso de tarifas para moldar a nova geoeconomia global, destacando a OMC como uma vítima dessa transição. Especialistas alertam que o Brasil pode ser um dos principais afetados pelo protecionismo norte-americano nesse cenário em busca de vantagens geopolíticas.
Desde a campanha eleitoral de 2024, Donald Trump tem falado sobre tarifas.
No início, aplicou taxas de 25% sobre produtos do México e Canadá. Em seguida, expandiu as tarifas para países da Ásia, União Europeia e, nas últimas semanas, Brasil.
Esse cenário reflete um fenômeno mais amplo: a geoeconomia, onde países utilizam mecanismos econômicos como armas geopolíticas. Nesse contexto, a Organização Mundial do Comércio (OMC) é vista como uma vítima central, pois a geoeconomia opera sem a mediação de organismos internacionais.
No discurso de inauguração, Trump relembrou a Tariff Act, que aumentou taxas sobre importações em 1890, defendendo seu uso para combater o déficit comercial.
Especialistas identificam que a geoeconomia representa a armamentização de instrumentos econômicos. Enquanto os EUA impõem tarifas, a China investe em infraestrutura globalmente, frequentemente em troca de concessões longas.
Trump anunciou, em julho, uma nova taxa de 40% sobre importações do Brasil, justificando-a com alegações contra "práticas comerciais desleais". O comércio entre os dois países favoreceu os EUA com um superávit de US$ 1,7 bilhões no primeiro semestre de 2025.
A crise da OMC é evidente, com a organização enfrentando sérios desafios de viabilidade e eficácia, especialmente após a paralisia do Sistema de Solução de Controvérsias durante os mandatos de Trump e Biden.
Daniel Kosinski critica a geoeconomia como uma evolução da geopolítica e aponta a ascensão da China como catalisador dos conflitos comerciais atuais.
As posições e estratégias dos EUA e do Brasil estão em tensão, com a necessidade de escolha entre aliados no cenário geoeconômico atual. Para muitos especialistas, é uma fase crítica e complicada para o Brasil, que sempre esteve entre os interesses de China e EUA.