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Governança ou culto à personalidade? O que realmente importa para o mercado

A cobertura midiática ainda privilegia a figura do presidente do Banco Central em detrimento da análise da governança institucional. A superexposição do cargo compromete a compreensão do funcionamento coletivo da instituição e do processo decisório.

Foco da Mídia e Governança do Banco Central

O destaque excessivo da mídia especializada no presidente do Banco Central provoca estranhamento, especialmente com a adoção de mandatos fixos para a diretoria. Este modelo confere mais autonomia e estabilidade à instituição, tornando o colegiado a principal força decisória.

A cobertura midiática ainda ignora a atuação coletiva, apresentando o presidente como o único responsável pela política monetária. Embora sua comunicação seja essencial, sua superexposição obscurece a compreensão do processo decisório.

Duas Reflexões

  • Papel do Banco Central: Além da política monetária, a instituição é crucial para a estabilidade financeira e regulação das finanças digitais.
  • Governança Institucional: A mídia deve focar mais na governança do Banco Central e das instituições em geral, evitando um culto à personalidade.

A concentração de poder em um único gestor, evidenciada por problemas de agência, pode levar a distorções e custos para a sociedade. Reformas, como as de Basileia III, enfatizam a transparência e a importância de decisões colegiadas.

Embora a adoção de mandatos fixos seja um avanço, questões como a composição do colegiado e a diversidade precisam ser debatidas para garantir boa governança. O debate atual ainda é dominado por uma visão personalista, limitando a discussão sobre governança efetiva.

Os novos códigos de governança que incluem diversidade nas diretorias não apenas aumentam a legitimidade social, mas também melhoram a qualidade da gestão. No Brasil, é urgente mudar a abordagem sobre o funcionamento das instituições, promovendo um debate econômico e institucional mais maduro.

Autor: Professor e Pesquisador do Coppead. Atua no Banco Central do Brasil na área de estabilidade financeira e atualmente é fellow research na Universidade de Vaasa, na Finlândia. A opinião expressa é do autor e não necessariamente do Banco Central do Brasil.

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