Governo brasileiro busca alternativas aos EUA após tarifa de Trump
Vice-presidente busca diversificar parcerias comerciais do Brasil em resposta às tarifas dos Estados Unidos. A missão inclui acordos com México e Canadá para fortalecer laços econômicos e intensificar a presença brasileira em mercados alternativos.
Vice-presidente Geraldo Alckmin realiza viagem ao México e Canadá, marcando o primeiro movimento da reorientação da política externa brasileira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A viagem é uma resposta ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos, afetando mais de US$ 22 bilhões em exportações, ou 55% do que o Brasil vende aos EUA.
A nova postura visa diversificar mercados e reduzir a dependência dos EUA, buscando laços mais fortes com parceiros na América Latina e inserção em blocos multilaterais.
No México, Alckmin assinou acordos nas áreas de agropecuária, bioenergia, indústria e tecnologia, reunindo mais de 100 empresários brasileiros. O país se tornará uma plataforma logística para acesso ao mercado norte-americano.
O Canadá também será incluído em um eixo de cooperação comercial e ambiental com o Brasil.
Alckmin destacou que é hora de ampliar o comércio e trabalhar em uma agenda de “ganha-ganha” com o México, além de reforçar que o Brasil não deve ser tratado como inimigo.
A movimentação brasileira tem implicações geopolíticas ao fortalecer relações com países da América Latina e de outras regiões, reposicionando o Brasil como um articulador global e defensor do multilateralismo.
A ApexBrasil identificou 72 países com potencial para receber exportações brasileiras afetadas pelas tarifas dos EUA, com o México entre os dez principais.
A diplomacia brasileira também busca avançar em acordos do Mercosul com países como Canadá, Singapura e Emirados Árabes.
A mensagem é clara: o Brasil não aceitará isolamento nem imposições. O objetivo do governo é reequilibrar a balança comercial e consolidar o país como uma voz ativa em um mundo em transição. Alckmin concluiu: “É hora de construir pontes, não muros”.