Governo Lula põe sigilo de até 15 anos em telegramas diplomáticos sobre tarifaço e sanções a Moraes
Itamaraty classifica como sigilosos telegramas sobre relações com os EUA nos últimos 10 meses. O conteúdo inclui temas sensíveis como tarifação, sanções a autoridades brasileiras e cooperação bilateral.
BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores impôs sigilo a uma série de telegramas trocados entre o Brasil e sua embaixada em Washington nos últimos 10 meses.
Esse período coincide com a campanha eleitoral que elegeu Donald Trump e com o acirramento das relações devido ao tarifaço e à retaliação ao Poder Judiciário brasileiro, especialmente contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O Itamaraty não se manifestou após a publicação.
Grau de sigilo: varia de reservado (5 anos) a secreto (15 anos). Todos os documentos foram classificados com base no artigo 23 da LAI, que permite restrição se o conteúdo prejudicar negociações internacionais.
Os telegramas abordam temas como:
- Tarifaço do governo Trump
- Suspensão de vistos para autoridades brasileiras
- Ações judiciais envolvendo Moraes
- “Repressão transnacional”
No dia 26 de junho, foram enviados dois telegramas sobre “repressão transnacional”. Coincidentemente, um deputado republicano pediu sanções contra Moraes, que ocorreram em julho.
O rol de informações sigilosas inclui:
- Conversas com assessores de deputados dos EUA
- Diálogos sobre cooperação contra crime organizado
- Comércio bilateral
Ao todo, 9 documentos têm sigilo de 15 anos e 14, de 5 anos. Dois foram classificados como secretos após solicitação do Estadão via LAI.
O ministro Mauro Vieira classificou alguns telegramas como sigilosos, repetindo estratégias de gestão anterior.
Documentos acessíveis incluem informes de missões de Eduardo Bolsonaro e preocupações de agricultores sobre o tarifaço.