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‘Guerra fria jurássica’: como países ricos e do Sul Global brigam por fósseis de dinossauros

Colonialismo científico revela a prática de roubo de fósseis de dinossauros entre países. A luta pela devolução dos espécimes brasileiros e mongóis destaca as injustiças históricas e contemporâneas na paleontologia.

Em 2007, Nicolas Cage arrematou um crânio de dinossauro de US$ 276 mil em leilão, mas em 2014, o governo americano lhe pediu a devolução por ser roubado da Mongólia.

O crânio era de um Tarbosaurus bataar, parente do Tiranossauro Rex, parte de um processo sobre o tráfico de fósseis. A pesquisadora Bolortsetseg Minjin alertou para o caso, evidenciando o colonialismo científico em que fósseis do Sul Global são roubados e levados para o Norte.

Uma pesquisa de 2021 revelou que 97% dos estudos sobre fósseis estão em países ricos, enquanto os fósseis vêm de países em desenvolvimento. O índice paraquedas quantifica a relação entre países que exploram fósseis e aqueles que os originam.

A controvérsia ganhou destaque com o caso do Ubirajara Jubatus, um dinossauro brasileiro cujo holótipo estava na Alemanha. Os brasileiros protestaram nas redes sociais, resultando na paralisia da publicação de um estudo sobre o fóssil e promovendo sua repatriação em 2023.

Outro caso emblemático é do Irritator Challengeri, um crânio contrabandeado para a Alemanha. Pesquisadores esperam que a pressão internacional facilite sua devolução.

Embora alguns países tenham começado a restituir fósseis, muitos ainda estão em disputa. A pilhagem de fósseis, muitas vezes resultado de contrabando por operários locais, alimenta um mercado ilegal milionário.

Em resumo, a repatriação de fósseis implica pressão diplomática e legislação nacional, mas o comércio ilícito ainda prevalece. Exige fiscalização e conscientização sobre a importância do patrimônio cultural e científico local.

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