Guillen: Carnes e ovos já mostram arrefecimento, o que não significa queda de preço
Banco Central aponta arrefecimento em preços de alimentos, mas alerta que isso não garante queda de preços. Expectativas de desaceleração econômica e incertezas sobre o mercado de trabalho também foram discutidas.
Diogo Guillen, diretor de Política Econômica do Banco Central, afirmou que carne e ovos mostraram arrefecimento, mas isso não significa redução de preços. Ele destacou a moderação na alimentação no domicílio, com aumento recente em alimentos como café e ovos.
Durante o Ciclo de Palestras em São Paulo, Guillen relatou que carnes, óleo de soja, leite e arroz tiveram grandes aumentos, mas agora apresentam arrefecimento. Ele esclareceu que esse arrefecimento reflete a queda da inflação, não necessariamente a queda de preço.
Ele também mencionou que a moderação no crescimento é um cenário que se delineia, mantendo a hipótese de juro real neutro em 5%. O hiato do produto, segundo ele, deve se tornar negativo em 18 meses, saindo de 0,6% para -0,8%.
Guillen expressou incertezas sobre o mercado de trabalho no Brasil, citando a pandemia e a reforma trabalhista como fatores complicadores. A taxa de desemprego está caindo, mas a relação com a inflação continua incerta.
Ele revisou a projeção de crescimento de 2,1% para 1,9% em 2023 e explicou a alta de menor magnitude na taxa Selic devido à defasagem temporal da política monetária e à resiliência da inflação.
Guillen ressaltou que a incerteza é um fator que influencia a magnitude do ajuste na taxa Selic, mantendo em aberto os próximos passos do Banco Central. “A incerteza permeia muito do debate de política monetária”, concluiu.