Haddad apresenta estudo sobre desigualdade tributária antes de Congresso votar mudanças no IR
Estudo revela que desigualdade no Brasil é ainda mais grave, com os 1% mais ricos detendo 27,4% da renda total. Além disso, a carga tributária é regressiva, penalizando mais o brasileiro médio em comparação aos super ricos.
Estudo da Receita Federal e do Observatório Fiscal da União Europeia revela que a desigualdade no Brasil é mais grave do que se imaginava.
Apresentado pelo Ministério da Fazenda na sexta-feira (29), o estudo analisa dados de 2019 e aponta que os 1% mais ricos detêm 27,4% da renda total, superando a estimativa anterior de 20,4%.
Os milionários (renda acima de R$ 5,5 milhões anuais) pagam alíquotas efetivas menores de impostos: 20,6% contra 42,5% do brasileiro médio.
O economista Gabriel Zucman destaca que isso coloca o Brasil entre os países mais desiguais do mundo. Comparando com os EUA, onde os milionários pagam 36%, há uma diferença de 15,4 pontos percentuais a menos no Brasil.
O estudo também indica que o sistema tributário brasileiro é regressivo, onerando mais as famílias de classe média devido a benefícios fiscais a empresas e à ausência de tributos sobre dividendos.
A Câmara dos Deputados votará em breve um projeto que eleva a isenção do Imposto de Renda de R$ 3.036 para R$ 5.000, e introduz um imposto mínimo para rendas superiores a R$ 50 mil mensais.
Quanto ao IR das empresas, a alíquota de 34% é considerada enganosa, pois, na média, pagam apenas 25%. As maiores empresas estão na média com uma alíquota efetiva de 15%.
Além disso, uma em cada cinco das maiores empresas paga menos de 1% devido a benefícios tributários. Em 2019, 80% dos incentivos fiscais estavam concentrados em 3 mil grandes empresas, com metade deles indo para apenas 260 empresas.