Haddad cobra ação do Congresso após estudo sobre privilégio dos ricos
Ministro da Fazenda destaca a necessidade de reforma tributária para combater a desigualdade no Brasil e critica a concentração de renda. Projeto de lei que isenta salários de até R$ 5.000 enfrenta resistência, mas é considerado um passo essencial por Haddad.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu ao Congresso Nacional um “1º passo modesto” contra a desigualdade social durante a apresentação de um estudo que evidencia como o sistema tributário brasileiro favorece os mais ricos.
A proposta em discussão, projeto de lei 1.087 de 2025, isenta do imposto de renda quem ganha até R$ 5.000 mensais e aumenta tributos para altas rendas. A segunda parte do PL enfrenta resistência no Congresso.
Haddad destacou que o Brasil não pode ser uma das 10 maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, ser um dos países mais desiguais. Ele pediu uma manifestação do Congresso para iniciar mudanças, mesmo que pequenas.
O estudo, feito em colaboração com o EU Tax Observatory e a Receita Federal, revela que o 1% mais rico concentra 27,4% da renda nacional, com o 0,1%% mais rico detendo 12,4% e o 0,01%% com média de R$ 23 milhões anuais ficando com 6,1%.
Apesar das altas rendas, esses grupos são menos tributados proporcionalmente. Milionários com ganhos acima de R$ 5,5 milhões pagam apenas 20,6% de sua renda em tributos, comparado a até 50% da classe média. Nos EUA, a média é de 36%.
Os autores do estudo apontam três fatores para a regressividade tributária: dependência de tributos sobre consumo, isenção de dividendos e incentivos que reduzem a carga das grandes empresas.
Gabriel Zucman, do EU Tax Observatory, afirmou que a concentração de renda no Brasil é maior que o previsto e as pessoas ultra-ricas pagam menos impostos em comparação internacional.
Haddad ressaltou o pedido social por maior justiça tributária e que apenas “um grupo extremado” resiste à mudança. Ele acredita que reformas graduais podem representar um marco histórico para o país.