Holandeses avançam discretamente rumo à semana de quatro dias
A experiência da Holanda em jornadas de trabalho reduzidas desafia preconceitos sobre produtividade e economia. O país revela que é possível equilibrar trabalho e qualidade de vida, embora ainda enfrente desafios na igualdade de gênero.
A discussão sobre a semana de quatro dias levanta pontos positivos e negativos. Os defensores acreditam que pode mitigar problemas como burnout, desigualdade de gênero, desemprego e emissões de carbono.
Por outro lado, críticos citam riscos como queda da produção econômica e perda de competitividade.
A Holanda se destaca com a maior taxa de trabalho em tempo parcial da OCDE, com uma jornada média de apenas 32,1 horas por semana. Isso se reflete em um número crescente de trabalhadores que concentram suas horas em quatro dias.
O modelo começou a mudar na década de 1980, com a entrada das mulheres no mercado de trabalho. O sistema de impostos e benefícios ajudou na normalização das jornadas reduzidas.
A experiência holandesa demonstra que é possível ter produtividade alta com jornadas mais curtas. Em 2024, 82% da população em idade ativa estava empregada, superando várias economias da UE, como Reino Unido e França.
Apesar disso, a igualdade de gênero ainda é um desafio. Apenas 27% dos cargos de chefia são ocupados por mulheres. O trabalho em meio período não é sinônimo de empregos precários, mas limita a progressão de carreira feminina.
A falta de mão de obra, especialmente na educação, gera um ciclo vicioso, dificultando jornadas mais longas para os pais. A Holanda pode estar se privando de crescimento econômico, porém, evita jornadas excessivas que afetariam a qualidade de vida.
A experiência mostra que a semana de quatro dias não é um modelo perfeito, mas também não resulta em desastre econômico. A lição é que é viável reorganizar o trabalho, considerando as consequências aceitas.
Um argumento frequentemente esquecido é o bem-estar das crianças na Holanda, que estão entre as mais felizes do mundo rico.