Indústria do Brasil ‘aliviada’ em tarifa de Trump pode sofrer de outra forma: com maior concorrência
Análise de especialistas indica que, apesar das tarifas recíprocas de Trump favorecerem o Brasil em comparação a outros países, a situação traz incertezas para a indústria nacional. A estratégia de negociação do governo brasileiro deve focar em evitar retaliações e buscar condições favoráveis para exportações.
Donald Trump anunciou tarifas recíprocas para produtos exportados aos EUA, estabelecendo uma tarifa básica de 10% para o Brasil. Apesar das vantagens iniciais, o especialista em comércio internacional, Renê Medrado, alerta sobre seus possíveis impactos.
Países como China, Japão e Vietnã sofreram tarifas acima de 20%, enquanto o Brasil, com tarifas mais baixas, pode ser visto como um alvo para esses mercados, complicando a situação na
guerra comercial global.
Medrado acredita que a situação do Brasil é relativamente favorável em comparação a outras nações, mas preocupa-se com a possibilidade de isenções e a duração das medidas.
A indústria de aço sentiu um alívio, com a confirmação de que as novas tarifas não serão cumulativas com a taxa de 25% já aplicada. O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Melo Lopes, considera isso um ponto positivo.
Lopes destaca a importância das negociações em andamento, afirmando que o governo brasileiro está ativo para melhorar as condições do aço desde 2018.
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, considera que o projeto de lei da Reciprocidade pode ajudar nas negociações, mas que a retaliação deve ser evitada. Ele vê a estratégia de Trump como uma forma de gerar vantagens nas tratativas comerciais.