Inflação pode não arrefecer nos próximos 5 meses, diz diretor do BC
Banco Central indica que ciclo de alta da Selic ainda não acabou, apesar de inflação permanecer persistente. Diretor ressalta a importância de calibrar a taxa em resposta às expectativas do mercado nos próximos meses.
Inflação no Brasil pode manter-se elevada pelos próximos 5 meses, de acordo com Nilton David, diretor de Política Monetária do Banco Central (BC).
Ele participou da live “Conjuntura e política monetária” em 31 de março de 2025, onde reforçou que a taxa Selic foi elevada a 14,25% ao ano, mas o ciclo de ajuste ainda não foi concluído.
Projeção do PIB para 2025 foi reduzida de 2,1% para 1,9%. O BC mencionou que a desaceleração econômica é essencial para atingir a meta de inflação de 3%, cujo intervalo varia de 1,5% a 4,5%. A inflação medida pelo IPCA foi de 5,06% em fevereiro e é esperada para subir a 5,6% em março.
Nílton abordou o forward guidance, que sinaliza a próxima alta da Selic em maio, sem determinar a magnitude do reajuste. O Banco Central busca reduzir a volatilidade e esclarecer as expectativas do mercado.
O relatório de Política Monetária indica uma taxa de juros real neutra de 5%. A MoneYou prevê juros reais de 8,79% no Brasil nos próximos 12 meses.
Nilton também comentou a demanda por ativos como debêntures isentas de IRPF e sobre o novo Crédito ao Trabalhador, que ainda está sendo avaliado pelo BC. Ele ressaltou a importância de compreender o comportamento das instituições financeiras.
Por fim, o dólar estava sendo negociado a R$ 5,75, com uma leve queda de 0,22%. Nilton destacou que o real não apresentou dinâmica diferente em relação a outras moedas e que a autoridade monetária não projeta diretamente a cotação do dólar.