Informalidade ‘rouba’ trabalhadores com carteira assinada e agrava falta de mão de obra qualificada
Cresce a adesão dos brasileiros ao trabalho informal, que agora é visto como uma escolha lucrativa e flexível. A escassez de mão de obra qualificada no mercado formal agrava a situação, refletindo uma mudança significativa nas dinâmicas laborais do país.
Informalidade no mercado de trabalho brasileiro se transforma de opção em escolha, com trabalhadores optando por empregos sem carteira assinada mesmo em momentos de crescimento econômico e baixo desemprego.
Antes vista como uma necessidade, a informalidade agora é buscada por sua flexibilidade e renda semelhante à dos empregos formais, segundo Rodolpho Tobler, economista da FGV. O uso de aplicativos de transporte e entrega contribui para essa mudança.
Taciano Rocha, um ex-propagandista de 45 anos, escolheu ser motorista de aplicativo em vez de aceitar uma vaga com carteira assinada que oferecia 15% a mais na renda. Ele valoriza a liberdade e flexibilidade de sua rotina.
Pesquisas mostram que a diferença salarial entre trabalhadores formais e informais diminuiu: em 2015, a média era de 73%, caindo para 31% no final de 2022. Apesar da predominância de baixa escolaridade entre informais, o nível educacional vem aumentando.
Entre 2012 e 2022, a proporção de trabalhadores sem carteira com ensino médio completo e superior cresceu de 34% para 54%, enquanto no mercado formal subiu de 61% para 76%.
Tobler observa que a qualificação dos trabalhadores informais tem aumentado, apontando que muitos buscam a informalidade para ganhar salários competitivos. Contudo, a escassez na mão de obra também está ligada à alta rotatividade e à alta taxa de informalidade.
Apesar do avanço do mercado formal, a informalidade ainda representa 38,6% dos ocupados no Brasil. Economistas alertam sobre os riscos a longo prazo da informalidade, como a falta de aposentadoria e empregos menos estáveis.
Trabalhadores informais incluem aqueles do setor privado sem carteira, domésticos, autônomos sem CNPJ e empregadores sem CNPJ.