Israel intensifica bombardeios na Cidade de Gaza, que registra protesto contra guerra
Israel amplia ataques à Cidade de Gaza em meio a pressão internacional por um cessar-fogo. Moradores organizam protestos contra a guerra, enquanto a crise humanitária se agrava na região.
Israel intensificou a ofensiva sobre a Cidade de Gaza com bombardeios pesados na noite de quarta-feira (20), um dia antes da reunião do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu sobre planos para dominar a área.
Os ataques indicam que o premiê não recuará diante da pressão internacional pela catástrofe humanitária e os perigos para cerca de 20 reféns que permanecem na faixa de Gaza. Netanyahu convocou 60 mil reservistas, mas a mobilização pode levar semanas, potencialmente permitindo que mediadores busquem um cessar-fogo temporário já aceito pelo Hamas.
A proposta de cessar-fogo de 60 dias inclui a liberação de 10 reféns e 18 corpos, enquanto Israel libertaria aproximadamente 200 prisioneiros palestinos.
Na quinta-feira (21), moradores de Gaza realizaram uma rara manifestação contra a guerra, clamando "Salvem Gaza, basta". O jornalista Tawfik Abu Jarad pediu o fim das operações militares e dos massacres diários.
Philippe Lazzarini, chefe da UNRWA, alertou sobre as condições críticas em Gaza, com um aumento de seis vezes em crianças desnutridas desde março. Segundo ele, muitas crianças morrerão sem medidas emergenciais.
O Ministério da Saúde de Gaza relatou mais duas mortes por fome, elevando o total a 271 vítimas, incluindo 112 crianças. A ONU considera essas cifras confiáveis, contestadas por Israel.
Milhares de palestinos abandonaram suas casas devido aos intensos bombardeios em Sabra e Tuffah, enfrentando a dura escolha entre ficar em casa ou buscar refúgio em áreas mais seguras. Rabah Abu Elias expressou a incerteza da sobrevivência no atual cenário.
O plano para tomar a Cidade de Gaza foi aprovado pelo gabinete de segurança de Israel. Apesar da pressão internacional, Netanyahu enfrenta a ala de extrema direita de sua coalizão, que exige a continuação da guerra e a anexação do território.