Israel ocupa mais territórios na Cisjordânia em 2024 do que nas duas décadas anteriores juntas
O aumento da ocupação na Cisjordânia é visto como uma estratégia de colonialismo pelo governo israelense, segundo representantes palestinos. A situação tende a se agravar à medida que a violência entre Israel e Hamas se intensifica, impactando diretamente a população local.
Conflito entre Israel e Palestina: Ocupação acelerada da Cisjordânia
A narrativa bíblica da terra prometida é usada por setores do sionismo religioso para justificar a presença israelense na região. Por outro lado, a população palestina reivindica o mesmo território com base em seu enraizamento cultural e direito à autodeterminação.
A atual disputa na Faixa de Gaza e na Cisjordânia está marcada por um processo de ocupação acelerado. Em 2024, Tel Aviv declarou 24 mil dunams da Cisjordânia como terras estatais israelenses, somando mais de 23 mil dunams nos últimos 23 anos.
Após o início da guerra em outubro de 2023, o Estado de Israel ocupou mais terras da Cisjordânia do que nos 23 anos anteriores. Segundo o movimento Peace Now, essa declaração de terras é uma “acrobacia jurídica” que favorece assentamentos israelenses e exclui os palestinos do acesso às terras.
Yasmeen El-Hasan, da União dos Comitês de Trabalho Agrícola da Palestina (UAWC), afirma que essa ação é parte de uma estratégia de colonialismo de povoamento pelo governo de Binyamin Netanyahu. Ela narra que a UAWC sofreu ataques, incluindo a destruição de armazéns de sementes em julho de 2023.
Yasmeen relaciona o aumento das terras ocupadas com uma sistemática agressão a instituições palestinas que promovem a soberania alimentar. Ela critica a estratégia israelense de deslocar a população indígena em favor de colonos, objetivando roubar território e romper vínculos históricos dos palestinos.
O aumento das novas ocupações, segundo Yasmeen, acontece em momentos de conflito, como na guerra contra o Hamas. Ela menciona que cada intensificação das hostilidades na Gaza está associada a limpezas étnicas na Cisjordânia.
Uma capitã do Exército de Israel informou que o número crescente de operações e vítimas palestinas é resultado de um novo entendimento das forças após os ataques de 7 de outubro. As operações hoje se concentram em potenciais ameaças, não apenas reativas.
O porta-voz Rafael Rozenszajn reforçou que não se trata de colonizar a Cisjordânia, mas de operações militares para a defesa de Israel. Questionados sobre ações contra civis palestinos, afirmaram não ter conhecimento de casos específicos.
Yasmeen observa que as ações israelenses visam minar a sociedade palestina e citou a classificação da UAWC como "organização terrorista" em 2021, o que foi considerado infundado por observadores internacionais. Ela destaca que essa é mais uma estratégia de deslegitimação dos movimentos palestinos.
Ela conclui que tudo isso se baseia em táticas de medo, enraizadas em racismo e islamofobia.