Juros futuros têm leve alta com surpresas altistas no IPCA-15
Taxas dos DIs sobem em meio a dados inflacionários mistos e incertezas sobre o Federal Reserve. O IPCA-15 apresentou deflação no mês, mas surpresas altistas em alguns setores preocupam investidores.
Taxas dos DIs fecharam em leve alta nesta terça-feira, com ênfase nos contratos com prazos mais curtos.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 13,975%, alta de 6 pontos-base. Para janeiro de 2028, a taxa marcava 13,295%.
Entre os contratos longos, a taxa para janeiro de 2031 foi de 13,585%, e para janeiro de 2033, 13,775%.
Os investidores analisaram o IPCA-15 de agosto, que registrou deflação de 0,14%. A deflação foi impulsionada pelo Bônus de Itaipu nas contas de energia e pela queda nos preços dos alimentos.
A taxa em 12 meses caiu para 4,95%, de 5,30% em julho. A reação inicial do mercado foi positiva, mas tornou-se mais desfavorável ao longo do dia.
Luciana Rabelo, economista do banco Itaú, destacou que houve “surpresas altistas” em setores como energia e alimentação, reforçando o impacto do mercado de trabalho apertado sobre a inflação.
Esses dados reverteram a expectativa de um possível afrouxamento monetário pelo BC, afetando as taxas futuras de curto prazo.
No cenário externo, a tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de demitir a diretora do Fed gerou preocupações sobre a independência do banco central, elevando os rendimentos dos Treasuries, com o retorno do papel de 30 anos subindo para 4,908%.
Por Fernando Cardoso