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Lojas em dólar de Cuba: novo capítulo de uma história de amor e ódio

Com a abertura de supermercados que aceitam dólar, o governo cubano busca aumentar a captação de moeda estrangeira, mas promove desigualdade entre a população. A medida é reflexo da grave crise econômica e das limitações que os cubanos enfrentam na aquisição de bens essenciais.

Cuba implementa supermercados que aceitam dólares, gerando desigualdades e sendo o centro de uma nova estratégia econômica.

Michael, um cubano, descreve a frustração ao entrar em um desses supermercados em Havana, só aceitando pagamentos em dólares, enquanto a maioria da população luta para obter a moeda. "Não é para nós", disse ele ao filho.

O primeiro-ministro Manuel Marrero anunciou a abertura dessas lojas como uma forma de captar moeda estrangeira diante da escassez provocada pelo embargo econômico dos Estados Unidos.

Cuba enfrenta sua pior crise econômica em 30 anos, com falta de alimentos e remédios. Dolarização parcial da economia começou em 2019 e inclui o recebimento de dólares em espécie, prática suspensa desde 2004.

Cidadãos como Enzo Puebla, que recebe remessas familiares, conseguem fazer compras nos novos supermercados, mas a maioria vive na impossibilidade de acessar dólares e produtos.

Para o economista Mauricio de Miranda, a dolarização é problemática por ser parcial, excluindo muitos que não podem obter dólares. A situação nas lojas é contrastante com as prateleiras vazias das estabelecidas em 2019.

A relação do governo cubano com o dólar é tumultuada, com proibições e liberações que mudaram ao longo do tempo, refletindo a complexidade econômica da ilha. O processo atual é descrito como um passo transitório, mas especialistas advertiram sobre as dificuldades de "desdolarizar" a economia.

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