Lula se aproxima de presidentes de direita na América Latina por temer cerco de Trump na região
O governo Lula busca estreitar laços com lideranças de direita na América do Sul em resposta à pressão do governo Trump. A estratégia visa evitar interferências políticas e garantir estabilidade nas relações econômicas e comerciais da região.
BRASÍLIA: Sob pressão do governo de Donald Trump, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva busca aproximação com lideranças de direita na América do Sul.
Diplomatas acreditam que o Brasil deve evitar a formação de um novo “Grupo de Lima” - um foro da direita para contestar a Venezuela.
Recentes ações de Trump, como a edição de um relatório crítico sobre direitos humanos no Brasil e a punição do entorno do ministro Alexandre Padilha, reforçaram a percepção de uma possível interferência nas eleições de 2026.
O governo brasileiro se prepara para reconhecer os resultados das eleições na Bolívia, onde candidatos de direita disputarão o segundo turno. O foco está em evitar instabilidade nas fronteiras, especialmente devido à crise migratória da Venezuela.
Além disso, o governo propõe diálogo com governos de direita e buscará novas discussões sobre defesa da democracia em Nova York no próximo mês.
Recentemente, Lula recebeu Daniel Noboa, do Equador, e planeja se reunir com José Raúl Mulino, do Panamá. Ambos líderes concordaram em priorizar a cooperação sem se prender a diferenças políticas.
No âmbito econômico, Lula prometeu estreitar cooperação policial com o Equador e buscar equilíbrio na balança comercial, enquanto discussões com o Panamá envolvem um acordo de livre comércio e investimentos no Canal do Panamá.
Diplomatas destacam a importância de projetos como a hidrelétrica de Itaipu e o gasoduto Brasil-Bolívia para manter relações estáveis na região, apesar da tensão com os EUA.
Por outro lado, há preocupações sobre a aproximação do Paraguai com os EUA e ações militares contra o narcotráfico, que o Brasil rechaçou oficialmente.