Maior rali de 'carry-trade' em anos deve continuar, diz Citi
Mercados emergentes apresentam retorno atrativo contra o dólar, com destaque para o real brasileiro. Especialistas do Citi indicam que a postura cautelosa dos bancos centrais deve sustentar essa tendência no curto prazo.
Retornos atrativos em moedas de mercados emergentes foram gerados em 2023, com potencial de crescimento no curto prazo, segundo Luis Costa, chefe de estratégia do Citi.
A postura dovish do Federal Reserve e a cautela dos bancos centrais de mercados emergentes sustentam as moedas em desenvolvimento contra o dólar.
Um índice da Bloomberg, que mede os retornos de "carry-trade" de oito mercados emergentes, subiu mais de 10% este ano, em direção ao maior ganho anual desde 2017. A estratégia "carry-trade" envolve pegar empréstimos em países com baixas taxas de juros para investir em ativos e moedas mais rentáveis.
Segundo Costa, a postura neutra dos bancos centrais sugere a sustentabilidade das taxas de juros reais. Ele ressaltou que o mercado espera um Fed ainda mais dovish em 2026, o que mantém o dólar em bom comportamento, mesmo com o apetite por ações dos EUA.
O retorno do "carry" no real brasileiro superou 20% este ano em relação ao dólar. O Citi se mantém otimista em relação à moeda, considerando a postura cautelosa do banco central.
No entanto, Costa alertou que as perspectivas se complicarão no segundo semestre de 2024, com a economia dos EUA podendo passar de um pouso suave para uma recuperação mais desafiadora.
A condição de uma curva de juros mais acentuada nos EUA pode dificultar a performance de ativos internacionais.
No mês passado, o Citi também recomendou a compra da lira turca contra o dólar através de contratos a termo de três meses.