Mais tarifa para o Brasil? O que se sabe sobre ameaça de Trump a quem taxar big techs
Trump ameaça países que regulam big techs com tarifas e restrições à exportação, visando proteger empresas americanas. O Brasil, que discute novas legislações digitais, está no centro dessa disputa comercial com os EUA.
Trump ameaça tarifas sobre países que taxarem big techs
O presidente dos EUA, Donald Trump, disparou uma advertência contra nações que considerarem taxar ou regular grandes empresas de tecnologia. Em postagem na sua rede social, ele afirmou que países que criarem “taxação, legislação, regras ou regulações digitais” enfrentarão tarifas adicionais sobre exportações para os EUA e restrições na importação de chips avançados.
A ameaça se aplica a diversas nações, incluindo Brasil, que já enfrenta a maior tarifa do mundo, de 50%. Trump declarou: “Notifico todos os países com impostos ou regras digitais que, a menos que essas ações sejam removidas, impos serão tarifas adicionais substanciais.”
O recado destaca que os EUA podem usar chips e semicondutores como arma de pressão em disputas comerciais, enquanto empresas como Nvidia e AMD dependem da livre exportação.
O governo dos EUA já começou uma investigação sobre legislações brasileiras em tecnologia, após reclamações da Information Technology Industry Council (ITI), que inclui grandes empresas como Amazon e Google.
Além disso, Trump usou táticas semelhantes anteriormente contra o Canadá, que recuou de propostas de taxação digital, e a União Europeia tem enfrentado conflitos com Washington por suas regras digitais.
No Brasil, as discussões incluem a Contribuição Social Digital (CSD) proposta por Guilherme Boulos e outros dois projetos de lei que visam regular plataformas digitais. O ITI já notificou o governo Trump sobre essas iniciativas, que foram vistas como risco de "censura".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu a Trump, afirmando: “para nós, elas (big techs) são patrimônio americano, mas não são nosso patrimônio.” Lula reafirmou a soberania do Brasil e a necessidade de empresas estrangeiras se adequarem à legislação local.
Ele criticou Trump, destacando que o presidente americano "tem agido como se fosse o imperador do planeta terra" e reafirmou o compromisso do Brasil com a regulação das plataformas digitais.