Marine Le Pen, de herdeira política a dúvida nas eleições presidenciais da França em 2027
Marine Le Pen é condenada por apropriação indevida de verbas públicas e se torna inelegível por cinco anos. A líder do Reunião Nacional classifica a decisão judicial como uma tentativa de barrar sua candidatura nas eleições presidenciais de 2027.
Marine Le Pen, líder da direita radical na França e apontada como favorita para a eleição presidencial de 2027, tornou-se inelegível por cinco anos nesta segunda-feira (31/3).
Le Pen foi condenada por se apropriar indevidamente de verbas públicas para financiar seu partido, o Reunião Nacional (RN). Ela foi sentenciada a quatro anos de prisão, dos quais dois são efetivos com possibilidade de cumprimento usando tornozeleira eletrônica, além de uma multa de 100 mil euros (R$ 623 mil).
A ainda cabe recurso sobre a decisão. Le Pen, que já disputou três vezes a presidência e perdeu para Emmanuel Macron, considerou a condenação uma "decisão política" para barrar sua candidatura em 2027.
Ela é herdeira política de seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, que deu origem ao RN. Jean-Marie faleceu em janeiro, deixando um legado de declaração extremistas sobre raça e imigração.
Trajetória política:
- Graduada em Direito em 1990, Le Pen trabalhou inicialmente como advogada.
- Entrou para a política em 1998, ocupando alto cargo no departamento jurídico da Frente Nacional.
- Foi eleita para o Parlamento Europeu em 2004 e assumiu a liderança da Frente Nacional em 2011.
- Renomeou o partido para Reunião Nacional e expulsou seu pai em 2015.
Hoje, o RN mantém discurso anti-imigração e foca em criação de empregos e combate ao extremismo islâmico. Enquanto isso, sua sobrinha Marion Maréchal-Le Pen defende uma linha mais dura, frequentemente divergindo de Marine.
Marine Le Pen tenta "limpar" a imagem do partido, mas ainda se vê prendida à sua identidade de direita-radical.