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Marine Le Pen, líder da direita radical na França, se torna inelegível por desvios públicos

A Justiça francesa condenou Marine Le Pen por desvios de verbas públicas durante seu mandato no Parlamento Europeu, resultando em inelegibilidade por cinco anos. A decisão gera polêmica entre aliados e críticos, acirrando o debate sobre a integridade democrática no país.

Marine Le Pen, líder de direita radical na França, foi considerada inelegível pela Justiça nesta segunda-feira, 31, devido a desvios de fundos públicos durante seu tempo no Parlamento Europeu. Com isso, ela não poderá concorrer nas eleições de 2027.

A sentença impôs cinco anos de inabilitação e quatro anos de prisão, dos quais dois anos devem ser cumpridos em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica. A presidente do tribunal, Bénédicte de Perthuis, afirmou que o objetivo é garantir equidade entre representantes e cidadãos.

Le Pen, que deixou o tribunal sem esperar o anúncio das penas, declarou que a decisão é um “golpe contra a democracia”. De acordo com a sentença, o partido dela, então chamado Frente Nacional, desviou cerca de € 21 mil (R$ 130 mil) em verbas para pagar funcionários entre 2004 e 2016.

Ao longo do julgamento, Le Pen reivindicou sua inocência, alegando que buscavam sua "morte política". Ela recebeu apoio de figuras como o ministro da Justiça francês e líderes de direita europeus, incluindo o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

Embora possa manter sua cadeira na Assembleia Nacional, Le Pen arrisca perdê-la caso o presidente Emmanuel Macron convoque eleições legislativas antecipadas. O imediatismo da inelegibilidade dificulta suas ambições presidenciais, especialmente após ter perdido para Macron em 2017 e 2022. Uma pesquisa recente indica que ela teria entre 34% e 37% dos votos no primeiro turno.

O partido Reunião Nacional (RN) demonstrou força nas eleições europeias de junho, obtendo mais de 30% dos votos e se consolidando como a principal oposição a Macron. O presidente do RN, Jordan Bardella, criticou a condenação, afirmando que a “democracia francesa foi executada”.

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