Mauro Vieira conversou com chanceler paraguaio sobre espionagem
O Paraguai suspende negociações com o Brasil sobre a Itaipu Binacional após denúncias de ataque hacker. O governo brasileiro nega envolvimento e diz que a operação foi autorizada pela gestão anterior.
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, dialogou com o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, a respeito de um suposto ataque hacker da Abin a autoridades paraguaias.
As conversas iniciaram por mensagens e seguiram por telefone. O Brasil reiterou que o ataque foi aprovado pela administração do ex-presidente Jair Bolsonaro e interrompido no início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Após esses diálogos, o Paraguai emitiu uma nota oficial informando que não possui evidências do ataque.
No entanto, em 1º de abril, Lezcano anunciou a suspensão das negociações sobre o Anexo C da Itaipu Binacional até que o Brasil preste esclarecimentos sobre o ataque.
O Itamaraty afirma que já apresentou as informações necessárias e está aberto a explicar novamente.
O chanceler paraguaio convocou o embaixador do Paraguai no Brasil para consultas e conversou com o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para detalhes sobre a alegada ação de inteligência.
O Anexo C, assinado em 1973, expirou em 2023 e um novo acordo deveria ser definido até 30 de maio de 2025.
O Paraguai iniciou uma investigação para apurar os eventos de 2022 a 2023, afirmando que não houve comunicação sobre o ataque da gestão anterior.
De acordo com o UOL, a operação visava obter informações sobre tarifas de energia da usina de Itaipu. A operação foi planejada no final do governo Bolsonaro e supostamente executada já no governo Lula.
No dia 31 de março, o governo Lula negou envolvimento, afirmando que a operação foi autorizada pelo governo anterior e suspensa em 27 de março de 2023.
No entanto, o posicionamento oficial tenta distanciar Lula do fato, apesar de informações contraditórias.
Em 7 de maio, Brasil e Paraguai firmaram um acordo de tarifas para Itaipu. O Brasil concordou em um reajuste menor que o proposto pelo Paraguai, enquanto assegurou que os consumidores brasileiros não teriam aumento.