“Mentira absoluta”, diz Netanyahu sobre relatório da fome em Gaza
Netanyahu nega estado de fome em Gaza e defende ações humanitárias de Israel. Cresce a preocupação internacional sobre a crise humanitária na região, com a ONU alertando para "níveis inimagináveis" de sofrimento.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou um relatório do IPC (sistema de Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar) que aponta estado de fome em Gaza, classificando-o como falso.
A contestação ocorre em meio à crescente preocupação internacional sobre a situação humanitária na região, enquanto o conflito entre Israel e Hamas se aproxima de completar 2 anos.
Netanyahu afirmou: “Mentira absoluta. Israel não tem uma política de fome, mas sim de prevenção da fome. Desde o início da guerra, permitimos a entrada de 2 milhões de toneladas de ajuda na Faixa de Gaza.”
Segundo o relatório do IPC, 514 mil pessoas em Gaza enfrentam fome, representando cerca de 25% da população. Projeções indicam que até o fim de setembro, esse número pode aumentar para 641 mil.
Esta é a primeira vez que o IPC classifica a região norte de Gaza como em situação de fome. Outras áreas, como Deir al-Balah e Khan Younis, podem enfrentar o mesmo destino até o final de setembro.
Para uma região ser oficialmente classificada em estado de fome, o IPC estipula que pelo menos 20% da população deve sofrer com extrema escassez alimentar, com 1 em cada 3 crianças desnutridas e 2 a cada 10 mil morrendo diariamente por causas relacionadas à fome.
O alto comissário da ONU, Volker Türk, afirmou que a fome em Gaza é diretamente resultante das ações do governo israelense, alertando que mortes por inanição poderiam ser vistas como crimes de guerra.
O relatório do IPC surge após declarações de países como Reino Unido, Canadá e Austrália sobre a crise humanitária em Gaza, que o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu como uma “catástrofe humanitária épica”.