Mercado de trabalho aquecido esconde precarização e polarização em vagas
Estudo revela que apesar da criação de vagas, mercado de trabalho no Brasil apresenta precarização e polarização de salários. Enquanto oportunidades aumentam, a qualidade das remunerações diminui, evidenciando desigualdade estrutural.
Mercado de Trabalho: O Brasil enfrenta um dinamismo que esconde a criação de vagas abaixo da média salarial.
A taxa de desocupação em 2024 foi de 6,9%, ainda melhor que os 7,4% de 2012. Contudo, a qualidade das vagas e salários pioraram.
Segundo o economista Nelson Marconi, da FGV/EAESP, a precarização e a polarização explicam a insatisfação com o governo Lula também devido ao aumento dos preços dos alimentos.
As vagas se concentram em duas extremidades:
- Atividades que exigem elevada qualificação e oferecem melhores salários.
- Funções com menores habilidades e com remuneração inferior.
No setor de vendas, que contratou 2,39 milhões, a remuneração ficou abaixo da média. Já no transporte, com 1,24 milhão de novas vagas, a remuneração caiu.
Até mesmo profissionais qualificados enfrentaram precarização. Em atividades científicas e técnicas, os salários caíram de 2,89 para 2,14 entre 2012 e 2024.
O estudo destaca o crescimento da desigualdade e o aumento de benefícios sociais, como o Bolsa Família, que ultrapassam R$ 170 bilhões.
Lucas Assis da Tendências Consultoria, menciona que a informalidade permanece alta em 38,7% e há 21 milhões de pessoas sem emprego ou com subemprego.
Apesar da iminente recuperação do mercado de trabalho e um aumento de 12,8% em salários desde 2012, a precarização estrutural ainda persiste.
A taxa de desemprego baixo, no entanto, leva alguns a duvidar da precarização. Fernando de Holanda Barbosa afirma que o aumento do salário real, que cresce acima da produtividade, reforça um mercado aquecido.
A nova análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada alerta para a possibilidade de uma desaceleração econômica no futuro, devido aos altos juros e expectativas de um PIB menor em 2025.