Mercado de trabalho mantém força com impulso do emprego formal
Mercado de trabalho no Brasil registra recorde de geração de empregos formais em fevereiro, apesar do aumento da Selic e da alta na taxa de desemprego. Analistas destacam a continuidade da força econômica e a tendência de formalização crescente entre os profissionais.
Mercado de trabalho no Brasil se mantém forte, apesar do aumento da taxa de juros. Dados do Ministério do Trabalho, divulgados em 28 de fevereiro, mostram a criação de 432 mil vagas formais com carteira assinada, um recorde desde 2020.
O saldo foi gerado por 2,6 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos. Simultaneamente, o IBGE informou que o número de empregados no setor privado alcançou 39,6 milhões, marcando nova máxima da Pnad Contínua.
A taxa de desemprego aumentou para 6,8%, após alcançar a mínima de 6,1%. Segundo analistas, o avanço na desocupação era esperado e está relacionado ao fechamento de vagas informais.
"O mercado de trabalho segue forte e sem sinais de desaceleração", comenta Sergio Vale, economista. O crescimento do emprego formal pode refletir anos de crescimento econômico e mudanças por conta da reforma trabalhista.
O aumento do emprego fomenta o consumo, mas também pressiona a inflação. Para conter essa demanda, o Banco Central elevou a Selic a 14,25%, com projeções de até 15% até 2025.
A taxa de informalidade caiu para 38,1%, indicando que mais profissionais buscam empregos formais. De acordo com o IBGE, esta é a menor taxa de informalidade desde a pandemia.
O rendimento médio da população ocupada aumentou para R$ 3.378, impulsionado pela saída dos informais e possíveis reajustes no salário mínimo.
Fernando de Holanda, da FGV, observa que, apesar do aumento na taxa de desemprego, os números ainda são positivos. Projeta-se uma taxa de 7,4% até dezembro, mas a continuidade das medidas do governo pode desafiar o controle da inflação.