'Meu filho não sabe qual o gosto de uma fruta': a fome em Gaza segundo seus moradores
Moradores da Faixa de Gaza enfrentam uma crise humanitária sem precedentes, com relatos devastadores de fome e desnutrição em meio ao conflito. Organizações humanitárias alertam para as consequências letais da insegurança alimentar na região.
Moradores da Faixa de Gaza relatam os devastadores efeitos da fome, após um relatório apoiado pela ONU confirmar a ocorrência de fome generalizada no território.
Reem Tawfiq Khader, 41 anos, mãe de cinco, afirmou: "Não comemos proteína há cinco meses. Meu filho não sabe o que é fruta".
A ONU denuncia que Israel restringe a ajuda humanitária, enquanto Israel nega a existência de fome, contradizendo mais de 100 organizações humanitárias.
No dia 22/08, o Integrated Food Security Phase Classification (IPC) alertou que mais de meio milhão de pessoas enfrentam condições "catastróficas" em Gaza.
Rajaa Talbeh, 47 anos, perdeu 25 quilos e vive em uma tenda, sem acesso a alimentos que pode consumir por uma condição médica.
Rida Hijeh, 29 anos, revelou que a filha de cinco anos passou de 19 para 10,5 quilos, apresentando sérios problemas de saúde devido à desnutrição.
Mandy Blackman, enfermeira da UK-Med, indicou que 70% das mães atendidas nas clínicas padecem de desnutrição, afetando a saúde dos bebês.
Desde a início da guerra em outubro, mais de 62 mil pessoas foram mortas, e pelo menos 271 morreram de fome e desnutrição, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Aseel, moradora da Cidade de Gaza, relatou sua drástica perda de peso e a difícil busca por alimentos e fórmula infantil a preços exorbitantes.
"Vivemos dia após dia", concluiu Aseel, retratando a crescente crise humanitária na região.