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Michel Alcoforado se infiltra entre ricaços para fazer raio-X de como se porta a elite

Antropólogo revela a vida das elites brasileiras em novo livro, onde explora as micropolíticas que sustentam a desigualdade social. Com uma narrativa rica em humor e observações, ele narra suas experiências em almoços e encontros com os endinheirados do país.

Antropólogo se infiltra na elite brasileira

Michel Alcoforado, 39 anos, passou 15 anos estudando o comportamento de milionários e bilionários no Brasil. Usando o disfarce de um rico, buscou entender como 0,01% da população reproduz desigualdades.

Para ser aceito nas altas rodas, Alcoforado perdeu 40 quilos, refinou seu estilo e se adaptou aos padrões da elite, comprando roupas e acessórios caros. Seu livro, que narra essa experiência, esgotou a primeira tiragem, com 9.000 exemplares vendidos pela editora Todavia.

No livro, Alcoforado explora como a desigualdade se manifesta em micropolíticas diárias. Ele destaca que muitos ricos não se consideram como tais, afirmando: "Ninguém se acha rico no Brasil."

O autor identifica dois grupos entre os endinheirados: os herdeiros tradicionais, que valorizam o quiet luxury, e os novos-ricos, que ostentam suas posses. A social media democratizou o acesso a bens de luxo, mudando as dinâmicas de classe.

Alcoforado também narra suas experiências em encontros com membros da elite, onde frequentemente sentiu o abismo hierárquico e a resistência em construir laços. Mesmo após anos de pesquisa, ele se choca com a visão de que a desigualdade é um problema de Estado, e não das elites.

Por fim, o antropólogo critica a percepção da classe média sobre a riqueza, considerando-a uma busca por status a qualquer custo.

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