Milei aperta operação dos bancos na Argentina e briga com setor após alta do dólar
Medidas do governo Milei para controlar a compra de dólares geram tensões com o setor bancário e levantam preocupações sobre a inflação. A nova exigência de reservas elevadas pode impactar negativamente a economia e o cenário eleitoral de outubro.
Governo de Javier Milei impõe novas regras aos bancos na Argentina com o objetivo de controlar a compra de dólares e evitar crises cambiais até as eleições de outubro.
Uma nova exigência estabelece que as instituições financeiras mantenham um patamar mínimo de recursos depositados diariamente, aumentando a pressão sobre o setor.
Os bancos também devem agora manter 50% dos depósitos no Banco Central, um aumento em relação ao 45% anterior. As principais empresas do setor preparam um documento para sugerir ao BCRA sobre desafios operacionais com a mudança.
As tensões já haviam começado em julho, quando o governo diminuiu a quantidade de pesos em circulação, absorvendo o equivalente a R$ 25 bilhões em um único dia.
Nesta quarta-feira (20), o dólar oficial subiu e ultrapassou 1.300 pesos, após um período de estabilidade. O BCRA, que deveria intervir apenas nos limites do sistema de bandas, foi além ao vender contratos futuros.
Aumento da taxa de juros e novos requisitos de reservas impactam diretamente as margens dos bancos, já que enfrentam custos elevados após um rápido crescimento do crédito.
Ações de bancos argentinos caíram: Banco Macro (-10,55%), Santander (-0,99%) e BBVA (-13,53%).
Há informações equivocadas nas redes sociais sobre limitações de saques, mas o BCRA esclareceu que as novas reservas visam gerir a política monetária e assegurar depósitos.
Por fim, um relatório da consultoria Invecq alerta que as medidas podem levar a uma desaceleração da atividade econômica e um cenário de estresse financeiro nas eleições.