Ministério Público diz que remédio sob investigação foi desviado para diversos hospitais do Brasil
Ministério Público Federal e Polícia Federal investigam o desvio de proxalutamida em estudos clínicos durante a pandemia. Ação civil busca indenização por danos à saúde após distribuição irregular do medicamento em hospitais brasileiros.
Ministério Público Federal investiga desvio de comprimidos do medicamento proxalutamida, que foram utilizados em hospitais do Brasil sem controle durante a pandemia de covid-19.
Foram ajuizadas duas ações civis públicas contra pesquisadores e instituições, enquanto a Polícia Federal iniciou uma operação relacionada ao caso.
Reportagem revela que o presidente Jair Bolsonaro mandou seu ajudante Mauro Cid distribuir o medicamento, proibido no Brasil, a aliados durante a pandemia. Diálogos indicam que Cid obteve o medicamento em Brasília.
Embora a investigação do MPF não inclua Bolsonaro e Cid, ela foca em irregularidades nos estudos sobre o medicamento. Estudos realizados foram cambiados para hospitais de diferentes estados, mesmo com autorização válida apenas para uma clínica específica em Brasília.
Cinco hospitais confirmaram o recebimento da proxalutamida, incluindo um em Manaus, durante uma crise de abastecimento de oxigênio. A tramitação das ações civis públicas está suspensa devido a questões processuais.
Os pesquisadores Flávio Cadegiani e Ricardo Zimerman estão entre os alvos das ações. Embora Cadegiani defenda a legalidade do estudo, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) contestou a regularidade da pesquisa e relatou um alto número de mortes sem explicação, atingindo 200 óbitos.
O MPF pede uma indenização de R$ 10 milhões por danos à saúde e morais, resultantes do uso experimental da droga em dois hospitais no Rio Grande do Sul. A pesquisa foi estendida a outros locais sem autorização.
Cadegiani apresentou meta-análises que afirmam a eficácia da proxalutamida, mas críticas sobre a qualidade dos estudos foram levantadas. O uso do medicamento nunca foi autorizado por agências de referência como a FDA e a EMA.
Irregularidades, como a importação em quantidade maior do que a autorizada, também foram descobertas, levando a investigações sobre desvios.
Um artigo relacionado foi despublicado por uma revista científica por falta de fundamentação adequado, um ato considerado grave na comunidade científica.