Morte de bebê de um mês por mutilação genital feminina reacende debate sobre a prática na África
Tragédia revitaliza o clamor por justiça e mudança cultural na Gâmbia, onde a mutilação genital feminina é uma prática ainda recorrente, mesmo com a proibição legal. Ativistas pedem medidas mais rigorosas e conscientização para erradicar essa forma de violência contra meninas e mulheres.
Morte de bebê após mutilação genital feminina na Gâmbia gera comoção nacional e discussão sobre a prática.
A mutilação, já proibida por lei desde 2015, resultou na morte de uma bebê de um mês, que sofreu hemorragias. Ela foi levada ao hospital de Bundung, mas não resistiu.
A polícia iniciou uma investigação e duas mulheres foram presas por suspeita de envolvimento. O gesto provocou forte reação de organizações de direitos humanos, que pedem justiça. A ONG Women In Leadership and Liberation criticou as autoridades por não protegerem as crianças.
A fundadora Fatou Baldeh afirmou que a mutilação continua a ocorrer com bebês devido à crença de que cicatrizam mais rápido. O deputado Abdoulie Ceesay quer que a morte da criança inspire mudanças na proteção às crianças.
Apesar da proibição em 2015, a aplicação da lei é frágil, com expectativas de penas de até três anos de prisão e multas. Apenas duas ações judiciais ocorreram desde então.
A Gâmbia ratificou o 'Protocolo de Maputo' para proteção de mulheres e meninas, mas a prática ainda persiste. Em 2024, um projeto de lei para revogar a proibição foi rejeitado após protestos.
As mutilações são vistas como um símbolo de pureza e frequentemente impõem uma pressão social sobre as comunidades. Jaha Dukureh e Fatou Baldeh lideram campanhas contra a prática.
A UNICEF relata que três em cada quatro meninas na Gâmbia sofrem com a mutilação antes dos seis anos, com taxas de quase 95% em áreas rurais.
Ativistas afirmam que leis sozinhas não são suficientes; é necessário mudar mentalidades e aplicar a lei rigorosamente. A ONU destaca a necessidade de apoio comunitário para a erradicação da prática.
A mutilação genital feminina ainda afeta mais de 200 milhões de meninas e mulheres globalmente. O tratamento das complicações custa 1,4 bilhão de dólares anuais em 27 países com alta prevalência.